Os primeiros textos lidos nesta disciplina nos proporcionaram uma visão ampla e histórica do desenvolvimento da formação do professor de Língua Estrangeira (LE). Freeman (2009) exemplifica muito bem, por meio de um círculo que se expande, as diversas etapas percorridas. Ele parte de uma concepção de formação do professor de LE como "treinamento de habilidades e aquisição de conhecimento" que perdura até os anos 70. Na década de 80, este conceito é ampliado pela valorização do desenvolvimento pessoal e profissional do professor. Os nos 90 trouxeram mudanças significativas com a busca pela (re)definição do conceito de formação de professores de LE e o início de uma base de pesquisa independente. Chegamos então ao momento atual que acrescenta a tudo isso questões de operacionalidade, passando a levar em consideração a identidade, a socialização e as situações de prática.
Na busca por uma aproximação entre diferentes contextos de ensino e as abordagens de ensino/ aprendizagem, refletimos sobre algumas perspectivas de formação de professores: a abordagem crítica e a abordagem sociocultural. Isso porque, como mostram Hawkins e Norton (2009), as pesquisas têm mostrado que, frequentemente, é possível encontrar 'divergências' entre os sistemas educacionais, a pedagogia desses sistemas e os aprendizes (ou seja, o contexto no qual essa pedagogia é aplicada).
Tais abordagens (a abordagem crítica e a abordagem sociocultural) têm em comum uma preocupação com a diversidade cultural, social e política. Busca capacitar o professor a lidar com essas questões, bem como por uma prática equitativa que ofereça oportunidades iguais a todos os alunos, independente de sua etnia, condição social, origem, religião, entre outros fatores. É possível observar, no entanto, que em alguns contextos mais conservadores, há uma resistência à abertura para a reflexão pedagógica proposta pela abordagem crítica e sociocultural.
As novas perspectivas de formação de professores procuram entender não apenas os aspectos linguísticos e como estes devem ser ensinados e aprendidos, mas também, as implicações didáticas da heterogeneidade no contexto da sala de aula. A teoria sociocultural busca valorizar a bagagem cultural do aluno, entender seus problemas, crenças... Não se deve anular seu lado social.
Desse modo, os contextos heterogêneos nos fazem refletir sobre o papel do professor e do aluno e consequentemente sobre as metas da educação. Deve-se oferecer ao professor uma base, caminhos a seguir, mas não modelos prontos. Só o fato de não existir um modelo a ser seguido encoraja os professores a refletir sobre as possibilidades e limitações de cada contexto, partindo de uma análise prévia das necessidades de cada contexto. As escolhas do professor devem variar de acordo com o contexto da sua sala de aula, e de maneira crítica e reflexiva, o professor busca aprimorar as oportunidades para os aprendizes de línguas por meio de uma mudança educacional e social. Reconhecer e trabalhar a diversidade na sala de aula é uma maneira de possibilitar que todos tenham acesso à educação de qualidade.
Especificamente, a pedagogia crítica busca gerar o "empoderamento" dos participantes do processo, visando um ensino que fomente a tomada de iniciativas desafiadoras por parte das pessoas que vivem em condições socialmente inferiores. Desse modo, o termo crítico "se refere ao foco em como as ideologias dominantes na sociedade guiam a construção do entendimento e dos significados de modo a privilegiar certos grupos de pessoas e a marginalizar outros" (HAWKINS; NORTON, 2009, p. 31). O professor pode, então, buscar tornar transparente a complexidade das relações de poder entre as minorias e maiorias (levando à consciência dos meios pelos quais as relações de poder são construídas) e entre os grupos culturais, de modo a tentar romper potencialmente as relações opressivas de poder. Essa reflexão implica também o pensar sobre o próprio posicionamento nas relações de poder, o que leva a uma praxis - aumento da consciência crítica.
No entanto, a praxis seria somente um dos princípios de uma pedagogia crítica, a qual deve gerar reflexão e discussão também sobre i) a natureza dos programas e práticas; ii) aceitação dos alunos; iii) engajamento dialógico; iv) reflexão (HAWKINS; NORTON, 2009, p. 36). Tais reflexões são permeadas por questionamentos sobre: o caráter ideológico do discurso, a identidade e o papel do professor, o papel dos falantes nativos e não-nativos, a inclusão digital, a padronização dos currículos, a avaliação baseada no rendimento e o trabalho colaborativo.
Mas como incluir todos estes aspectos na formação de professores atualmente? Que modificações seriam necessárias? Quais seriam as estratégias para colocar os aspectos apresentados acima em prática?
Um possível encaminhamento seria a promoção de estudos de casos e relatos de experiências em grupos onde se pudesse levantar tais discussões.
A partir dessas questões, talvez seja importante refletir sobre os cinco princípios que Hawkins e Norton (2009) oferecem para discussão: a natureza situada dos programas e das práticas; as experências dos aprendizes levadas em consideração; o engajamento dialógico
ou a construção de um diálogo colaborativo com os alunos, fazendo desse professor um mediador; a reflexão sobre a prática; a integração da teoria e da prática, considerando os interesses de transformaçao social. Talvez esses princípios possam colaborar nas modificações que seriam necessárias para um novo olhar na formação de professores de línguas.
Snow (2005) traz um relato de sua experiência em um programa de pós-graduação para professores de língua inglesa na California State University, no qual identifica seis temas que podem refletir a educação de professores para uma formação crítica: (a) iniciação na comunidade discursiva, (b) o papel do falante nativo e do não nativo na profissão, (c) inclusão de tecnologia, (d) conhecimento dos padrões e processos de certificação, (e) avaliação baseada em desempenho, (f) novas parcerias e papéis. A autora discute a implementação de tais temas descrevendo os processos usados e os objetivos almejados.
Elisângela Fernandes Martins
Patrícia D. Reis Frisene
Os primeiros textos lidos nesta disciplina nos proporcionaram uma visão ampla e histórica do desenvolvimento da formação do professor de Língua Estrangeira (LE). Freeman (2009) exemplifica muito bem, por meio de um círculo que se expande, as diversas etapas percorridas. Ele parte de uma concepção de formação do professor de LE como "treinamento de habilidades e aquisição de conhecimento" que perdura até os anos 70. Na década de 80, este conceito é ampliado pela valorização do desenvolvimento pessoal e profissional do professor. Os nos 90 trouxeram mudanças significativas com a busca pela (re)definição do conceito de formação de professores de LE e o início de uma base de pesquisa independente. Chegamos então ao momento atual que acrescenta a tudo isso questões de operacionalidade, passando a levar em consideração a identidade, a socialização e as situações de prática.
Na busca por uma aproximação entre diferentes contextos de ensino e as abordagens de ensino/ aprendizagem, refletimos sobre algumas perspectivas de formação de professores: a abordagem crítica e a abordagem sociocultural. Isso porque, como mostram Hawkins e Norton (2009), as pesquisas têm mostrado que, frequentemente, é possível encontrar 'divergências' entre os sistemas educacionais, a pedagogia desses sistemas e os aprendizes (ou seja, o contexto no qual essa pedagogia é aplicada).
Tais abordagens (a abordagem crítica e a abordagem sociocultural) têm em comum uma preocupação com a diversidade cultural, social e política. Busca capacitar o professor a lidar com essas questões, bem como por uma prática equitativa que ofereça oportunidades iguais a todos os alunos, independente de sua etnia, condição social, origem, religião, entre outros fatores. É possível observar, no entanto, que em alguns contextos mais conservadores, há uma resistência à abertura para a reflexão pedagógica proposta pela abordagem crítica e sociocultural.
As novas perspectivas de formação de professores procuram entender não apenas os aspectos linguísticos e como estes devem ser ensinados e aprendidos, mas também, as implicações didáticas da heterogeneidade no contexto da sala de aula. A teoria sociocultural busca valorizar a bagagem cultural do aluno, entender seus problemas, crenças... Não se deve anular seu lado social.
Desse modo, os contextos heterogêneos nos fazem refletir sobre o papel do professor e do aluno e consequentemente sobre as metas da educação. Deve-se oferecer ao professor uma base, caminhos a seguir, mas não modelos prontos. Só o fato de não existir um modelo a ser seguido encoraja os professores a refletir sobre as possibilidades e limitações de cada contexto, partindo de uma análise prévia das necessidades de cada contexto. As escolhas do professor devem variar de acordo com o contexto da sua sala de aula, e de maneira crítica e reflexiva, o professor busca aprimorar as oportunidades para os aprendizes de línguas por meio de uma mudança educacional e social. Reconhecer e trabalhar a diversidade na sala de aula é uma maneira de possibilitar que todos tenham acesso à educação de qualidade.
Especificamente, a pedagogia crítica busca gerar o "empoderamento" dos participantes do processo, visando um ensino que fomente a tomada de iniciativas desafiadoras por parte das pessoas que vivem em condições socialmente inferiores. Desse modo, o termo crítico "se refere ao foco em como as ideologias dominantes na sociedade guiam a construção do entendimento e dos significados de modo a privilegiar certos grupos de pessoas e a marginalizar outros" (HAWKINS; NORTON, 2009, p. 31). O professor pode, então, buscar tornar transparente a complexidade das relações de poder entre as minorias e maiorias (levando à consciência dos meios pelos quais as relações de poder são construídas) e entre os grupos culturais, de modo a tentar romper potencialmente as relações opressivas de poder. Essa reflexão implica também o pensar sobre o próprio posicionamento nas relações de poder, o que leva a uma praxis - aumento da consciência crítica.
No entanto, a praxis seria somente um dos princípios de uma pedagogia crítica, a qual deve gerar reflexão e discussão também sobre i) a natureza dos programas e práticas; ii) aceitação dos alunos; iii) engajamento dialógico; iv) reflexão (HAWKINS; NORTON, 2009, p. 36). Tais reflexões são permeadas por questionamentos sobre: o caráter ideológico do discurso, a identidade e o papel do professor, o papel dos falantes nativos e não-nativos, a inclusão digital, a padronização dos currículos, a avaliação baseada no rendimento e o trabalho colaborativo.
Mas como incluir todos estes aspectos na formação de professores atualmente? Que modificações seriam necessárias? Quais seriam as estratégias para colocar os aspectos apresentados acima em prática?
Um possível encaminhamento seria a promoção de estudos de casos e relatos de experiências em grupos onde se pudesse levantar tais discussões.
A partir dessas questões, talvez seja importante refletir sobre os cinco princípios que Hawkins e Norton (2009) oferecem para discussão: a natureza situada dos programas e das práticas; as experências dos aprendizes levadas em consideração; o engajamento dialógico
ou a construção de um diálogo colaborativo com os alunos, fazendo desse professor um mediador; a reflexão sobre a prática; a integração da teoria e da prática, considerando os interesses de transformaçao social. Talvez esses princípios possam colaborar nas modificações que seriam necessárias para um novo olhar na formação de professores de línguas.
Snow (2005) traz um relato de sua experiência em um programa de pós-graduação para professores de língua inglesa na California State University, no qual identifica seis temas que podem refletir a educação de professores para uma formação crítica: (a) iniciação na comunidade discursiva, (b) o papel do falante nativo e do não nativo na profissão, (c) inclusão de tecnologia, (d) conhecimento dos padrões e processos de certificação, (e) avaliação baseada em desempenho, (f) novas parcerias e papéis. A autora discute a implementação de tais temas descrevendo os processos usados e os objetivos almejados.